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Santo Afonso de Ligório
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Deus é a Caridade (I Jo. 4, 16) e à terra veio para atear em todos os corações a chama de seu amor.
Mas, como o de Maria Santíssima, não inflamou nenhum outro.
Puro completamente de afetos terrenos, estava ele preparadíssimo a arder nesse bem-aventurado fogo.
Daí então as palavras do Pseudo-Jerônimo:
“Tanto o abrasou o amor divino, que nada de terreno lhe prendia as inclinações. Ardia, completa e totalmente, no amor divino e dele estava inebriado.”
Sobre esse amor lê-se nos Cânticos: Seus abrasamentos são abrasamentos de fogo, chamas do Senhor (8, 6).
Fogo e chamas tão somente era, pois, o coração de Maria Santíssima.
Fogo, porque ardia inteiramente pelo amor, como fala um texto atribuído a S. Anselmo. Chamas, porque resplandecia externamente pelo exercício das virtudes.
Quando Maria Santíssima, na terra, trazia o Menino Jesus ao colo, bem se podia dizer dela que era um fogo levando outro fogo.
E isso em melhor sentido do que Hipocrates disse um dia de uma mulher que levava o fogo na mão.
De fato, explica S. Idelfonso, como o fogo incandesce o ferro, assim o Espírito Santo abrasou Maria, a ponto de nela brilhar somente o fogo do Espírito Santo e manifestar-se a chama do divino amor.
S. Tomás de Vilanova aponta como figura do coração da Virgem a sarça de Moisés, a qual ardia sem se consumir.
Com razão, portanto, declara S. Bernardo:
“A mulher que João Evangelista (Ap. 12, 1) viu revestida do sol, foi Maria Santíssima, que esteve tão unida a Deus pelo amor, quanto de tal união podia ser passível uma criatura.”
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Fonte: Do livro “Glórias de Maria” de Santo Afonso de Ligório.
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